Vende que nem água

quinta-feira, 22 de abril de 2010 0 comentários

O relógio acaba de despertar marcando 6:30. Mãe, pai e irmã levantam e começam a se arrumar, porém um dos filhos se recusa a sair da cama. Já faz algum tempo que ele vem queixando-se de que a vida não tem sentido, não vê mais diversão em nada e seu único desejo é morrer para acabar logo com esse sofrimento.

Sim, é uma historia fictícia, mas existem muitos casos reais que se assemelham a esse. Um clássico caso de depressão que precisa de tratamento. Porém não vou falar dos que precisam de tratamento.

A depressão hoje afeta aproximadamente 12% dos brasileiros. Não é pouco, mas se analisarmos a quantidade de antidepressivos vendidos atualmente veremos que alguém está tomando remédio demais. Em estudos realizados pela ANVISA baseado em dados do IMS Health, a venda de antidepressivos cresceu em 47% desde 2003 a 2007. Pessoas frustradas com o emprego, preocupadas com os filhos, com sérios problemas financeiros, etc., entram no grupo dos consumidores de psicotrópicos para tentar mudar o seu estado de ânimo. Já ficou tão comum esse tipo de pratica que presenciei várias ocasiões no consultório onde o paciente diz abertamente: Dr, faz uma receita pra mim de fluoxetina porque sem ela eu não consigo dormir. Ou até piadinhas do tipo: cara, você tá nervoso demais, já tomou o seu remedinho?

A banalização dos antidepressivos tem chegado longe demais. Como qualquer medicamento existem contra indicações, efeitos adversos, dependência química e psicológica que fazem necessário uma avaliação médica cuidadosa em cada caso. Não podemos nos dar por vencidos com os problemas do dia a dia e pensar que um comprimido vai resolvê-los. Devemos combater e não “tentar enganar” o problema. A “pílula da felicidade” não existe.

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