Não me lembro bem o dia em que estava assistindo ao filme “Clash of the Titans” (Fúria de Titãs) com alguns amigos. Para quem não assistiu, o filme retrata a historia de Perseu, um herói da mitologia grega que se consagra por conseguir decapitar Medusa que transformava em pedra qualquer um que olhasse em seus olhos. Depois que acaba o filme, conversa vai conversa vem, uma amiga pergunta: O que acontece quando nasce um filho de um semideus como Perseu? Ele nasce semideus ou nasce humano? Por mais que muitas pessoas possam rir e criticar a pergunta eu achei genial tal questionamento. Fiquei pensando, isso deve depender da esposa dele, sei lá. Como sou uma pessoa um tanto inquieta com perguntas sem respostas, ainda que fictícias, comecei a lembrar daquelas aulas de genética que tive há bastante tempo atrás e fiz um pequeno resumo de possibilidades para este caso.
A viagem... Começando com a genética básica e considerando que para ser um deus grego o individuo deve ser homozigoto dominante (DD) e um humano homozigoto dominante (HH); Perseu, filho de um deus com uma mulher humana deveria ser heterozigoto (DH). Provavelmente um caso de Co-dominância ou Dominância incompleta. Segundo as leis de Mendel não existiria outra possibilidade de Perseu ser diferente. Seguindo as mesmas regras Mendelianas o filho de um semideus teria algumas possibilidades genéticas diferentes ao ser gerado, dependendo da esposa do pai semideus. No caso de Perseu que se casou com Andrômeda, uma mortal, temos as seguintes possibilidades:
DH (Perseu) | HH (Andrômeda) | |
H | H | |
D | DH | DH |
H | HH | HH |
Então a chance é de 50% de nascer um semideus e obviamente 50% de chance de nascer um humano normal. Agora imaginemos que Perseu se casa com uma semideusa. Na mitologia grega a única semideusa que eu conheço é Helena de Tróia que é filha de Zeus e Leda. E também seria meio estranho porque Helena é meia-irmã de Perseu e por isso até problemas de consanguinidade seriam possíveis. Se bem que Zeus tá cheio de filho por aí. Brincadeiras a parte, sigamos o raciocínio.
DH (Perseu) | DH (Helena de Tróia ou outra semideusa, se existir) | |
D | H | |
D | DD | DH |
H | DH | HH |
Aí a história fica interessante. Teria uma chance de 25% de nascer um deus, isso mesmo, um deus com todos seus atributos, 25% de chance de nascer um humano e 50% de chance de nascer um semideus. E se Perseu fosse ao Olimpo e se casasse com uma deusa seus filhos teriam 50% de chance de serem deus e 50% de chance de ser semideus. Legal né?!
Mesmo com esses resultados, inúmeras outras coisas podem ser pensadas. Como se manifestam os genes da deidade grega? Todos os filhos de deuses têm poderes especiais? Porque se não, pensaríamos em “variação gênica descontínua” e começaríamos a trabalhar com expressividade e penetrância. Ou então, se as características dos deuses fossem determinadas por genes diferentes, trabalharíamos com “alelos múltiplos”.
Bom, vou parar por aqui porque acho que já viajei demais. Vai que aparece um geneticista e continua o tema... De qualquer forma, a genética é bem interessante e misturar com mitologia dá um prato cheio para conjecturas e hipóteses. E haja criatividade!



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